31.12.10

EM 2012!



A todos os amigos e amigas, familiares, mestres, alunos, meu desejo de que o ano novo seja pleno de inspiração e aventura, um mergulho na vida e em nós mesmos, em busca de iluminação e de tornar este mundo um lugar melhor, que isso é sempre possível, basta querer.

28.10.09

OBRAS

BOSQUES DA MOIRA (2005)
(Edição do autor, tiragem ultralimitada e, no momento, esgotada)





MIRATIO (2008)
(Edição do autor, tiragem ultralimitada e, no momento, esgotada)



ARVIORE (2010)
(Edição do autor, tiragem ultralimitada e, no momento, esgotada)

Ars long vita brevis

NOVIDADES

1º ENCONTRO DE LITERATURA FANTÁSTICA DE PERNAMBUCO

www.fantasticoempernambuco.blogspot.com

19.10.09

ALGUMA POESIA

Poemas catalogados pela Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (copyright do autor). Proibida a reprodução sem prévia autorização

Abditae causae

Fraco mortal, que aspiras às sutis essências,
ao círculo das formas, ser das aparências,
qual cristalina água, a perscrutar o seio
do que há intangível, à matéria em meio,
estás cansado e choras (só te embala o vento
o ecoar da ampulheta num abismo lento)
e, cerzindo a tristeza triplos espantalhos,
ousas vibrar ainda o alaúde em atalhos.
Porque por mais que busques a tudo o silêncio
(o silêncio é cantar para os astros suspensos,
a música inaudível das esferas vastas –
tem-se a impressão mas nunca o som e a nota casta),
cantando seguirás, mesmo em padecimento
de, na verdade, não haver ouvido atento.
E o entardecer se expande em fogo na floresta;
há vária explicação e, também, vária festa:
é bom ouvir às árvores e aos animais,
às estéreis montanhas que exsudam cristais,
aos gemidos dos ventos adensando a trama
das águas nos rios, de verdes bosques às ramas;
como cabrito atado à mãe e à dura teta,
se entretém os infantes co’ agrestes cornetas...
toda a natura segue a prumo seus alvitres,
somente o ser pensante e o poeta, estes biltres,
apartam-se de tudo, buscando esse tudo –
e responde o universo só um grito mudo.
São necessários sismos à rija estrutura,
conhecidos venenos a aprestar as curas;
assim o canto irrompe e o solitário vate
encetará co’a própria lira um vão combate
(oleiro do vazio, em sonhos se desdobra,
que decerto é ilusão alquimia e grã obra;
por mais difícil que seja, crê na aventura –
que a razão é a loucura da própria loucura);
porém à força mesmo de enformar os ventos
mostrarás quão profundos são os teus lamentos.

As palavras

As palavras, imunes à lembrança,
flutuam na noite de coral,
inquietas hamadríades ao sabor dos ventos...
Escorregam pelos canteiros,
despem-se em arpejos vegetais,
borboleteiam a luz, antecipam as mariposas
e se deixam embalar nas ondas, turmalinas.
Na água branca, no cisne incolor,
por trás da paisagem, como um poema de dor.
E lhes foge apenas a esfíngica morte
no grito de animal inventado,
fabular e inominável.
Mas são delas os lampiões apagados.

Enquanto eu lia um conto de ar

Enquanto eu lia um conto de ar,
tecias auroras, desertos em cascatas
e entretias alísios com trenos tão suaves
que nem os ventos se lembravam.
Eram segredos nossos dias,
lanternas de cantos noturnos,
graves e estranhos...
O céu à terra não se ligava
e o vento, seu louco menino de ar,
ainda nomos não ensaiava.
Fátua espada, faca temperada na corrente,
divino farol, que ao mar me lançava,
amando de assassinas ondas forjar.

Do silêncio

O silêncio percorre colunas e portais
criança nua, desdentada
sombra sem passo que a cada passo
aclara com arte um enigma.
O silêncio passou pela janela, clarim,
anunciando lutas em breve,
grandes batalhas contra jardins.
O silêncio passa novamente,
não me contenho, grito.
- Para dentro da árvore,
vamos para dentro da árvore!
E fui com o silêncio para dentro da árvore.

Paradoxo

Amo e desprezo a vida ao mesmo tempo
e, como o nauta, irmão da tempestade,
abjuro as ondas, escarneço o vento,
irmanado à ciclópica vontade.

Desconheço o futuro e meu passado
é onda, brisa, fumo, sonho altivo.
Mas houve tanto instante ensolarado
e tanta formosura que ainda vivo!

E nesta dupla sorte eu venço os dias;
ora aspiro à luz, ora indago a treva,
buscando unir opostas harmonias.

Em amor e desprezo a alma se inflama
e, qual aparição, ao céu se eleva
como a calçada verte o céu na lama.

Da vida dos pássaros

Quando o tetraédrico sol
(cuja majestade de pão e peixe,
disseminada até pela escuridão,
voa com os corvos)
é ocultado por nuvens de pássaros
e a tarde desbota, imagem antiga,
doce é caminhar na relva úmida
pisando serpentes com pés descalços.
Ciosos de chuva,
calendários entortam árvores,
alagados e ervaçais,
numa atmosfera que a água solidifica.
Saltam visões das crateras abertas;
arcanjos em carvalhos, florais cornamusas,
arbóreos tormentos, balés de teias negras.
Sobre a gruta anil está o unicórnio
e, mais acima, a gralha que lhe roubará os olhos.

De Safos nos abismos

Lançam-se os dias
como Safos nos abismos.
É bom morrer com a noite,
a noite total, que perfumará sua chaga.
Morremos noites seguidas e não só
empalados, enterrados vivos, crucificados.
Todas as tardes,
quando a corda do oceano
narra sua epopéia antiga
e as abelhas expectoram melíferos ninhos,
esfaqueio a alma das constelações
e morro como a cítara de um dia.

Ego vitro

Falo-te de fantasmas e visões,
dos queixumes do vento nas vidraças,
do estranho frio e as vítreas sensações
dessas vozes que vagam, sempre lassas.

Às vezes trago um frio de corrimões
na alma! um vento invernal que vem e passa
e me faz ser – espectro das monções –
canção gelada que espelhos embaça.

No cristal e no vidro há todo um risco,
uma sereia fria que invita a mente
a estados de alma lânguidos, dormentes,

um perder-se ante o olhar do basilisco.
Em frente ao espelho, eu tenho me despido
de reflexo e me vejo feito vidro.

Invernal

Suavemente, bem suavemente,
açoita o vento as rúbidas paisagens;
cola-se o rio, o fruto está doente
e a andorinha enrijece nas ramagens.

O inverno enfim chegou, fosforescente,
gelando as flores, tumbas e visagens,
gelando as flores, vítreas e dormentes,
cristal em pó, reluz como miragens.

Da paisagem monótona o aprumo
me fez rejubilar, ditou meu rumo
entre os brancos jardins e alvas latadas.

Não se vê onde acaba a neve e surge
a palidez marmórea que refulge
a minha sombra negra nas calçadas.

Disse a flor

Disse a flor,
pendendo o abismo:
“Destrói!”, canta o vento.
“Refulge!”, canta a aurora.
“Fenece!”, bradam os campos.
“Explica!”, diz o homem.
E o pesadelo dos homens
é a alegria dos animais.



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bosquesdamoira@yahoo.com.br

4.10.09

PROJETO MUSICAL BOSQUES DA MOIRA

O projeto musical Bosques da Moira busca unir poesia e rock'n'roll clássico / progressivo / stoner numa espécie de sarau poético eletrificado. O grupo conta com dois cd's-demo ("Terza Rima" e "Pretexto de luar"), já passou por diversas formações e a mais recente tem cerca de um ano. A formação atual: André de Sena (guitarras, vocal), Washington "The Ax" (contrabaixo, vocal de apoio) e Ítalo Flaubert (bateria). Há ainda participações esporádicas de poetas e prosadores que lêem seus textos ao som ora visceral, ora evanescente do grupo.














CD 1 - TERZA RIMA (2005)

(1. Lobo, aos olhos do ocaso)
(2. Sotiripse ed ogof)
(3. O céu, o universo, a chuva)
(4. Causa mortis)
(5. O Uraeus - instr.)
(6. Com a cabeça decepada)

₢copyright by André de Sena (direitos reservados)
André de Sena (guitarras, vocal)
Cleidson Araújo (bateria)
Marcos Alexandre (baixo)
Paulo Pellee (teclados)















CD 2 - PRETEXTO DE LUAR (Música para violão)(2007)

(1. Pretexto de Luar n°1)
(2. Pretexto de Luar n°2)
(3. Pretexto de Luar n°3)
(4. Pretexto de Luar n°4)
(5. Pretexto de Luar n°5)
(6. Pretexto de Luar n°6)

₢copyright by André de Sena (direitos reservados)
André de Sena (violão)
Paulo Pellee (teclados)